Talentos no tablado
A partir do dia 24 de agosto, o Festival Internacional de Teatro de Brasília promete movimentar a cena cultural da cidade, com a apresentação de companhias teatrais e de dança do Brasil e do mundo
Ao longo dos últimos 11 anos, a capital tem sido palco de um importante evento cultural, com a participação de companhias teatrais do país e do mundo. Trata-se do Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, momento em que os principais espaços da cidade são invadidos por uma vasta programação que reúne teatro, dança e música.
Para a edição de 2010, o evento repete a receita de sucesso e aposta na inventividade. Para isso, contará com dois espetáculos do grupo Kabia, da Espanha, apontado como uma revelação pela imprensa internacional, e com o talento do músico sérvio Goran Bregovic, entre outras atrações. “Eu já conhecia o Bregovic de trilhas sonoras dos filmes de Emir Kusturica. Sempre admirei o trabalho do músico. Há um ano, surgiu a possibilidade de trazê-lo e fizemos uma consulta. Fechamos uma parceria com o Porto Alegre em Cena. O Goran encerra aqui, no dia 5 de setembro, e abre lá, no dia 9”, conta Guilherme Reis, curador do festival.
Vale destacar, ainda, o trabalho do ISH Theater, um novo e intrigante grupo israelense que mistura teatro físico, clown e mímica em ritmo vertiginoso. “Este ano, a gente conseguiu uma seleção de grupos nacionais muito importante, com quase todos os espetáculos premiados pelo Prêmio Shell e Molière”, destaca Guilherme.
Renovação artística
Em sua 11ª edição, o festival aposta em jovens companhias que têm renovado a cena internacional. O Kabia foi criado como extensão da Gaitzerdi, a companhia estável de Bilbao. Tem como marca a linguagem experimental e seu diretor, Borja Ruiz, foi o primeiro vencedor do Prêmio Internacional Artez Blai de Investigação sobre as Artes Cênicas. Estão também programados trabalhos da Suíça, Chile, Cuba, Colômbia e Itália, além de espetáculos brasileiros, num total aproximado de 25 atrações. Encerrando a festa, no dia 5 de setembro, acontece o show de Goran Bregovic e sua Orquestra para Casamentos e Funerais, ao ar livre, num grande palco montado na praça central do Museu Nacional da República.
Reflexões sobre o exílio, a tortura, a solidão, a violência e a guerra, produzidas em territórios que vivem cotidiano conflituoso – como o país Basco, Colômbia, Israel e Cuba –, revelam, sob a perspectiva teatral, o que pensam os criadores contemporâneos. E para manter o padrão de qualidade que faz do Cena um dos maiores festivais de teatro do país, a organização começa com bastante antecedência. “Já estamos montando o evento do ano que vem, que vai ter como foco a América Latina e a África”, antecipa Guilherme Reis. Segundo ele, o investimento nesta edição é de R$ 1,6 milhão, dos quais R$ 1,25 milhão é de patrocínio da Petrobras, da Caixa, do Ministério do Turismo, da Funarte, do Banco do Brasil e do GDF. “O restante da verba veio do apoio do UniCeub e das embaixadas”, comenta.
Avaliação positiva
De acordo com o curador, a expectativa de público para este ano é de, aproximadamente, 50 mil pessoas, sendo metade em espetáculos de teatro e de dança e os outros 25 mil em shows e atividades gratuitas que vão acontecer na praça do Museu da República. “Começamos este projeto como uma ousada e pequena mostra de teatro e de dança contemporânea e, desde a primeira edição, o Cena Contemporânea teve alcance internacional. No início, tínhamos como objetivo inserir Brasília no circuito de espetáculos que não passavam por aqui, criar uma via de mão dupla, e trazer também programadores que conhecessem o circuito teatral brasiliense e pudessem contribuir para exportar a produção local. A gente sentia, em meados da década de 1990, uma necessidade muito grande de se reciclar, de se especializar, de fazer intercâmbio com outros profissionais de outros lugares. Nessas 11 edições do festival, temos trabalhado esses elementos com coerência e muito sucesso. Hoje, Brasília já é outra, o festival cresceu, se consolidou, e a cidade está mais do que inserida no circuito cultural brasileiro. Sinto que o Cena contribui muito para a formação de gerações de artistas brasilienses e não tenho a menor dúvida de que fomentou a distribuição da produção local para festivais nacionais e internacionais, além de abrir horizontes para a produção teatral do DF”, conclui Guilherme.
E por falar nas pratas da casa, dentre as companhias selecionadas para o festival está o Esquadrão da Vida, que apresenta a peça O filhote do filhote de elefante, livre adaptação de Ary Pára-Raios e do Esquadrão da Vida para o texto O filhote de elefante, de Bertolt Brecht, com direção de Maíra Oliveira.
CENA CONTEMPORÂNEA
De 24 de agosto a 5 de setembro, nos principais teatros de Brasília e na praça central do Museu Nacional da República.
Fonte: jornal da comunidade
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